cover
Tocando Agora:

Com greve de barqueiros por salários atrasados, alunos ficam sem transporte em zona rural no Acre

Com greve de barqueiros, estudantes ficam sem transporte escolar em cidade do AC Cerca de 75 barqueiros, responsáveis pelo transporte escolar na zona rural de ...

Com greve de barqueiros por salários atrasados, alunos ficam sem transporte em zona rural no Acre
Com greve de barqueiros por salários atrasados, alunos ficam sem transporte em zona rural no Acre (Foto: Reprodução)

Com greve de barqueiros, estudantes ficam sem transporte escolar em cidade do AC Cerca de 75 barqueiros, responsáveis pelo transporte escolar na zona rural de Tarauacá, no interior do Acre, estão em greve desde o dia 31 de julho. A paralisação afeta a rotina dos alunos que precisam se deslocar de barco para ir às escolas. O ato chegou na terceira semana nesta terça-feira (18) e as principais reivindicações dos trabalhadores envolvem atrasos no pagamento de salários e valores referentes ao aluguel das embarcações utilizadas no serviço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp O g1 entrou em contato com a empresa Suply, responsável pelo transporte na região, e foi informado que foi feita uma reunião nesta terça para solucionar o problema. Segundo a empresa, a situação deve ser resolvida nas próximas 72 horas e o serviço devidamente restabelecido. A reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE), que informou que a pendência de repasse existente corresponde ao mês de julho e que, conforme o contrato, o pagamento ainda estaria dentro do prazo previsto. Segundo a pasta, a nota fiscal já foi atestada e o repasse à empresa responsável pelo transporte deverá ser efetivado até sexta-feira (21). Em um vídeo, um dos barqueiros relatou que foi chamado por alunos que estavam reivindicando seus direitos. Além disto, disse ainda que os filhos também são prejudicados com toda a situação. O g1 tentou contato com o trabalhador, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. (Assista ao relato acima) Com greve de barqueiros, estudantes ficam sem transporte escolar em cidade do AC Arquiva/Defesa Civil Municipal/arquivo “Eu estou aqui hoje, sou barqueiro do transporte escolar pelo estado, o qual nós venho hoje sofrendo por uma grande injustiça e esses alunos que hoje aqui estão, dependem do transporte para chegar até a escola. [...] Eu como barqueiro estou parado sem trazer esses alunos para a escola por falta de pagamentos, salários atrasados, aluguel atrasado e hoje estou aqui também para reclamar como barqueiro e como pai de aluno [...]”, disse no vídeo. De acordo com Francisco Gleison Souza Jesus, um dos representantes dos barqueiros, a categoria decidiu interromper as atividades após uma série de acordos que, segundo ele, não teriam sido cumpridos pela empresa responsável pelo transporte. “A situação continua a mesma. A greve ainda continua. Estamos na terceira semana. Estamos em greve desde o dia 31”, afirmou. LEIA MAIS: Alunos denunciam condições precárias para estudar em escola de região isolada no AC: 'Desassistidos' Buracos nas paredes, banheiro sem privacidade: alunos enfrentam condições precárias para estudar em região isolada no AC Em meio ao mato e à poeira, alunos de zona rural no AC enfrentam condições precárias em casebre sem paredes: 'É muito ruim' Segundo ele, há trabalhadores que acumulam mais de um ano de valores referentes ao aluguel das embarcações em atraso. Gleison disse ainda que alguns barqueiros acumulam até quatro salários sem receber. Além disso, de acordo com ele, a situação também afeta diretamente os estudantes que dependem das embarcações para chegar às escolas. “O que está saindo prejudicado somos nós, que somos pais de alunos, é o aluno, é o ensino dos nossos filhos e também os barqueiros que estão passando por essa dificuldade financeira”, disse. O g1 também questionou a SEE sobre o quantitativo de estudantes afetados, além das escolas que estão sem aulas, mas ainda não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Impasses A paralisação ocorre em um momento em que os estudantes da zona rural dependem do transporte fluvial para frequentar as aulas. “Ano passado meu filho e a minha menina estudaram 45 dias letivos, tiveram o ano todinho, esse ano vai se encaminhando já da mesma forma”, contou. De acordo com ele, diante da suspensão do transporte, algumas alternativas estariam sendo buscadas para atender parte dos estudantes, como o deslocamento por terra e o uso de embarcações de outras empresas. O representante, porém, afirma que uma dessas embarcações teria ficado lotada ao transportar alunos. “A embarcação veio lotada mesmo, correndo risco, né? É um descaso total [...] Os pais estão se manifestando, os alunos estão se manifestando, pedindo socorro, ajuda, porque há um grande silêncio aí, tanto da parte da empresa quanto do governo”, declarou. SEE informou que a pendência de repasse existente corresponde ao mês de julho e que, conforme o contrato, o pagamento ainda estaria dentro do prazo previsto Júnior Andrade/Rede Amazônica Além dos atrasos nos pagamentos, Gleison também relatou que deixou de trabalhar como barqueiro depois de recorrer à Justiça para cobrar valores que considerava devidos. Segundo ele, antes de atuar na empresa, trabalhou por um ano e quatro meses em outra prestadora de serviço, também responsável pelo transporte escolar. O trabalhador afirma que decidiu buscar judicialmente os valores pendentes e, posteriormente, foi retirado da atividade. “Eu fui um dos barqueiros e eles me tiraram porque eu fui atrás do meu direito na Justiça. E aí eles falaram que, se eu fosse na Justiça, eles iam me tirar, mas eu não me calei. A maioria são ribeirinhos, não sabe assinar nem o nome, têm medo de falar e aí eles acabam se calando”, relatou. Desdobramentos O representante informou também que a empresa fez uma reunião on-line nessa segunda-feira (17) com os barqueiros e apresentou uma proposta para que os trabalhadores retornassem às atividades. Segundo Gleison, a proposta previa o pagamento de dois salários e de um valor referente ao aluguel das embarcações. “A empresa fez uma reunião online com todos os barqueiros, propondo que eles voltassem a trabalhar. E aí, na metade desse mês que vem, eles fazem pagamento de dois salários só e um aluguel”, detalhou. O trabalhador disse que a proposta não foi aceita pois, segundo ele, não havia garantia para o pagamento dos demais valores atrasados. “Foi feito vários acordos, mas pela parte da empresa eles não cumpriram. E com isso [a greve] já vai para a terceira semana”, afirmou. Reveja os telejornais do Acre